Cidades são locais tipicamente cheios de prédios, com ruas espaçosas para que os carros possam passar, elas contém grandes centros comerciais, avenidas conhecidas, podem ser identificadas por seu pavimento de cor cinzenta, por poucos centímetros de verde por quadra e sim pelo enorme numero de pessoas.

Então toda aquela formação na maquete só tem real função se pessoas viverem (ou sobreviverem) ali. Curioso, não? Afinal não é incomum não calcularem elas no projeto. Por isso a faculdade de arquitetura do Mackenzie em conjunto com a da USP estão com uma série de palestras e a de hoje contou com a presença de Jan Gehl (arquiteto dinamarquês), que iniciou um projeto com o nome Cidade Para Pessoas.

Achei curioso no inicio terem mencionado a importância da humanização das cidades (afinal sem humanos elas não existiriam para começar…) e reforçarem que o estudo ali na universidade perde sentido se não houver interação com a sociedade.

Gehl introduziu seu projeto com sua história pessoal na faculdade e a excessiva preocupação com a forma que eles tinham em sua época de estudo (e talvez ainda tenham hoje em dia), exemplificando a construção de maquetes e os exercícios em 2d sem dimensões reais. Tem um claro paralelo com a permacultura no quesito função, já que se fala no paisagismo, na estética sem funcionalidade e o desenho de permacultura existe com a intenção oposta.

O dinamarquês continuou sua apresentação dizendo que o modernismo e sua idéia de construir prédios grandes e a gasolina em época de baixo custo incentivando a circulação de carros, contribuíram para o aumento das cidades como as conhecemos. Ele tem uma preferência pelas cidades dos “good old days” (até 1960 – europa) e diz que por sermos seres adaptáveis hoje nos damos por satisfeitos se não formos atropelados.  Mas imagina que já estamos em momento de mudança de paradigma.

A sindrome de Brasília é a forma que Gehl usa para descrever o planejamento das cidades em escala humana, aonde a vista é linda de cima, dos aviões, mas não na prática diária. Assim como em cidades com prédios enormes você não tem uma cidade e sim uma coleção de torres, assim muitos locais projetados nem são frequentados e se perde muito em funcionalidade e qualidade de vida. Ele acredita que se você abrir novas pistas e avenidas, ou seja convidar mais carros, você terá mais carros e o contrário também se faz de exemplo.

O arquiteto também comunicou que tem observados nos anos 2010 uma tendência a busca por cidades com as seguintes características: Agradável; atraente (em escala humana); segura; sustentável e saudável. E ao responder uma das poucas questões da platéia (devido principalmente ao curto espaço de tempo restante)  ele afirmou que problemas de segurança/ violência são mais próximos de áreas como a jurídica e social, não de arquitetura e que em sua opinião construir “fortes” não é uma boa solução de modo geral.

O nome cidades para pessoas além de livro do Jan Gehl, é um projeto de uma jornalista brasileira que pode ser melhor explorado no site: http://cidadesparapessoas.com.br/

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